Mensagens

A entrevista

Imagem
Saiu do gabinete do chefe de redação do jornal onde trabalhava e ligou imediatamente para o palácio presidencial. Depois de se ter apresentado à telefonista, só teve de aguardar uns minutos antes de ser atendido pela governanta. Perguntou-lhe se se lembrava dele. Quando ela lhe respondeu afirmativamente, considerou a resposta um bom augúrio. Avançou então para a questão que originara o contacto: - Acha que seria possível entrevistar o Sr. Presidente? Afinal já faz mais de dois anos que ele deu uma entrevista. A resposta tardou. Chegou a pensar que ela tinha desligado o telefone ou abandonado o auscultador, e, quando já pensava em desligar, ouviu do outro lado da linha, depois de um longo suspiro, a seguinte resposta: - Vou ver se é possível. Amanhã, ligue-me a esta hora. E desligou. Sem dizer mais nada, nem sequer se despedir. Ele deixou cair o auscultador, mas voltou a levantá-lo. Entalou-o entre o ouvido e o ombro e discou o número de um amigo, enquanto tirava um ...

Queres ser a minha história?

Imagem
Queres ser a minha história? Sem assinatura. Sem remetente. Sem destinatário. Apenas aquelas cinco palavras, escritas com maiúsculas cuidadosamente desenhadas, no centro de uma folha branca, dobrada duas vezes. Olhou em volta, como se esperasse surpreender alguém a observá-la, mas o átrio do prédio estava vazio. Nesse momento, a música que saía dos auriculares enfiados nos ouvidos deu lugar à seguinte; saltou com a diferença inesperada de volume e apressou-se a puxar o telemóvel do bolso e desligar o player . Chegada ao segundo andar, procurou as chaves na mala (quase sem se dar conta, deixou no seu interior a folha de papel) e entrou em casa. O Miguel estava na cozinha, a cantarolar e a mexer qualquer coisa na panela. - Estou cá – informou, enquanto pousava as coisas e se dirigia à casa de banho. Quando voltou à cozinha, pousou o telemóvel na mesa, ao lado de um envelope A4 castanho. - O que é isto? - Chegou para ti – respondeu o Miguel, e deu...

Gorian Dray

Imagem
Por fim, o botão azul onde se lia "Confirmar". E, voilá , Gorian Dray era agora mais um membro da comunidade Facebook. O perfil estava criado e fizera-o minuciosamente, como, aliás, era o seu procedimento habitual. Reviu mentalmente os passos até à formalização da criação do perfil: indicara o seu nome e contactos, o seu sexo e local de habitação; descrevera-se em poucas palavras, especificara a faculdade e o curso que frequentava; adicionara os seus gostos e preferências de séries, livros, jogos, música e comida; e, claro, carregara a sua foto de perfil, aquela que, ao fim de treze tentativas, saíra não só decente como bastante satisfatória. Agora, bastava apenas... "Plim"! Uma caixinha surgiu no canto do computador. "Plim"! Outra caixinha? "Plim"! "Plim"! "Plim!" No ícone do mundo, uma etiqueta vermelha assinalava o número cinco. Gorian nunca fora muito dado às inovações tecnológicas e redes sociais, mas...